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From your man in the Island – São os melhores naquilo que fazem e o que fazem É bonito de se ver.

Apesar do meu auto exílio neste pedaço de terra perdido algures no oceano Atlântico, não posso deixar de admitir que sinto alguma nostalgia quando me ponho a recordar as primeiras idas aos festivais de Banda Desenhada.
É por isso (com alguma nostalgia desses tempos) que vos avanço aqui a minha opinião sobre os dois eventos que vão animar o mês de Maio (e Junho) e que de certa maneira poderão vir a retirar do marasmo todos os que gostam verdadeiramente desta arte.

Entre 7 e 9 de Maio teremos então o recém-nascido, mas robusto, AniComics e a partir de 29 de Maio o adolescente, mas consciente, FIBDB 2010.

Photobucket

Comecemos pelo caloiro; o AniComics, que apesar de ser uma agradável surpresa não foi para mim um trunfo saído do nada.

Conheço o seu organizador Mário Freitas há dez anos e este evento é o resultado de muitos anos de aprendizagem da parte do mesmo, que se concretizam agora num evento com ‘pés e cabeça’.

Há muito tempo que me parecia que o Mário seria uma espécie de Jim Shooter Português (mítico editor da Marvel dos anos 70) e com este evento vem-me provar que não é apenas uma ‘espécie de’, mas que se assume verdadeiramente como um agente de mudança, tal e qual como a figura ao qual o comparo.

É que como se já não fosse tarefa suficientemente esgotante a gerência da sua livraria/galeria de Banda Desenhada, a coordenação editorial da sua Kingpin Books e (como descobri recentemente) a função de baixista na banda tal e tal; o Mário decidiu pegar em tudo o que aprendeu nestes últimos anos como livreiro e ergueu a partir de muito trabalho e pesquisa um evento que visa não só quebrar com ‘velhos vícios’, mas acima de tudo juntar dois mundos que muitos ‘velhos do restelo’ (como eu) apregoavam ser impossível de cruzar.

Isto é, debaixo de um mesmo tecto propõem-se a confraternização entre os apreciadores de comics norte-americanos (e alguns veteranos do franco-belga) e a mais do que actual vaga de fãs da Nona Arte, os otakus (apreciadores de Manga e seus sucedâneos); usufruindo todos de actividades que sejam do agrado de Gregos e Troianos.

Alguns podem até dizer que esta organização é ‘Erége’ ou até ‘Louca’, mas eu digo: ‘E porque não?’

O que tem sido o grande erro de muitos dos eventos ligados à Nona Arte tem sido o total desinteresse pelo lado estético e apelativo dos certames; repetindo-se fórmulas mais que desgastadas e fazendo certos eventos ‘restritos’ a um único tipo de público.

A organização do AniComics faz o oposto e rodeada de uma legião de criativos inovadores dispõem-se a apresentar um evento convidativo a todos os públicos e acima de tudo agradável à permanência durante várias horas no espaço do festival.

Já dizia José Carlos Fernandes numa das suas crónicas do BD Jornal, “os Festivais de Nona Arte precisam de renovar o seu público”. É uma opinião com a qual eu concordo e à qual acrescento a necessidade de um maior sentido de ‘sedução’ por parte dos organizadores para com os públicos-alvo, ávidos de ‘pecado’.

Espero sinceramente que o evento comece com os dois pés (só com o direito acaba por se desequilibrar) e que daqui a um ano se possa afirmar como um motivador das hostes que há muito estão adormecidas.

Quanto ao cartaz de actividades e autores, não me vou por a descrever tudo o que outros já descrevem ( http://www.anicomics-lisboa.net ), mas deixo apenas o sincero desejo que apesar dos três autores internacionais que vão estar presentes no evento, que as filas para sketchs dos autores nacionais se alonguem por vários quilómetros.
Eles merecem o seu lugar ao sol e mesmo que alguns já o tenham atingido (ainda que fora das nossas fronteiras), cada vez mais é necessário dar a conhecer às novas gerações que também se pode ler Banda Desenhada feita por pessoas que falam a nossa língua.

pina

Passamos então à segunda parte da crónica.

beja

É com muito gosto que vejo o FIBDB fazer jus ao seu pregão ( Venham + 5), passando a marca das cinco edições. E o gosto com que falo da chegada a esta marca deste evento (e agora bato nas mesmas teclas que bati em relação ao AniComics) deve-se ao reconhecimento de que Paulo Monteiro e sua equipa de Muchachos Alentejanos organizam festivais como só os Melhores sabem fazer.

O Festival de Beja há muito que me conquistou, porque apesar da sua ‘insularidade’, consegue a cada ano que passa, inovar e mostrar ao pais que é possível criar algo onde nada parecia existir, principalmente quando se abre as portas a diferentes vertentes artísticas.

Há acima de tudo que dar valor ao facto de que apesar da sua ‘grandiosidade’ enquanto festival institucional, esses complexos de grandeza, que muita boa gente afecta, parecem não fazer parte do seu vocabulário (apoios municipais fazem delirar qualquer um).

Este ano, segundo as notícias iniciais ( http://www.festivalbdbeja.net )há uma aposta cada vez maior nos nomes sonantes (em termos de autores/exposições) e promete-se para já trabalho árduo da parte da organização, que mais uma vez, e agora apenas durante duas semanas (aspecto que torna o festival numa verdadeira festa que é necessário aproveitar enquanto a há) vão receber todos os que se dignarem a partilhar do amor que esta equipa tem pela Nona Arte.

De relevar também a inclusão na edição deste ano dos Trofeus Central Comics (finalmente Hugo, ouviste-me) que vem mostrar à malta dos lados da Reboleira que eles não são os únicos com capacidade para decidir quem merece o reconhecimento do público.

Junta-se assim neste certame duas iniciativas dinâmicas que, espero eu, se mantenham juntas durante muitos e largos anos e que, em conjunto, consigam dar cada vez mais e maior visibilidade ao que de bom se faz no nosso pais.

Pela falta ainda de alguma informação, paro por aqui em relação ao Festival de Beja, mas prometo voltar a ele com mais dados, próximo da sua data de início.

Infelizmente, este ‘velho do restelo’ não vai poder comparecer a nenhum dos dois eventos (o insular afinal sou eu), mas espero que o público faça destas iniciativas as festas que elas merecem ser.

P.S.: Para todos os aficcionados de autógrafos (Who do you gonna call? Sketch busters), não se esqueçam de levar ao AniComics a edição de Novos X-men vol.3 (Invasão Shiar Parte 1 de 2) da Devir.

Muitos desconhecem-no, mas esse volume tem na sua capa uma ilustração da autoria do ‘Zé’ Camuncolli quando ele ainda era um puto italiano acabado de descobir pelos ‘Camones’ da Marvel.

Penso que será também nessa edição onde temos o Manifesto sobre a série em causa (por mais anos que viva nunca vou conseguir apreciar New X-men), que na altura foi traduzido/adaptado pelo próprio organizador do AniComics, Mário Freitas.

Isto é, levem o raios parta do livro e façam uma ‘mob flash’. Todos os que conseguirem um autógrado no dito cujo que se acusem durante o evento.

camuncolli

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