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Rê Vê! 2

Tokyo Days, Bangkok Nighs – Ou como ser “Big in Asia” com a Polícia atrás de nós.
Ásia, esse dragão adormecido e sedutor que clama por nós “aventureiros”, é a personagem principal deste livro que pode ser entendido como duas obras separadas, por compilar duas mini-série de um mesmo autor, mas que eu gosto de abordar como duas faces da mesma moeda. Digo-o porque considero que os fios narrativos de cada uma das duas histórias são passíveis de ser entrelaçados; ocupando cada uma delas uma parte das vinte e quatro horas presentes num dia, mesmo que a sua acção se passe a ‘n’ Km de distância e que os seus personagens não tenham a mínima noção da existência uns dos outros.

Devaneios à parte passarei a explicar porque me fascina este livro.

Desde os meus treze anos que ‘persigo’ o ‘dragão’ que referi no início desta critica e apesar de ter a consciência de que nunca na minha vida irei visitar o continente asiático, continuo a sonhar com ele e graças a obras como esta a tarefa é muito mais simples.

O livro mostra-nos acima de tudo como são este continente e as suas gentes indomáveis e como, por mais avançados que nós ocidentais nos consideremos, jamais nos iremos conseguir inserir ou compreender a sociedade Asiática (a não ser que sejam um dos autores que trabalhou numa das duas obras, que apesar de ser ocidental tinha provavelmente sido um samurai numa vida passada, pois criou um Japão como eu realmente o gosto de o imaginar).

O livro divide-se em duas mini-série: Vertigo Pop: Tokyo Pop, ilustrado por Seth Fisher, e Vertigo Pop: Bangkok Nights, por Giuseppe Camuncoli, sendo os dois escritos por Jonathan Vankin.

Começarei por falar de TP:BN, por ser aquele onde realmente me dei conta como nós ocidentais somos estúpidos quando achamos que podemos modificar algo tão complexo, caótico, mas ao mesmo tempo perfeito como uma sociedade Asiática e por me identificar um pouco com a personagem principal, Tuesday.

Esta é uma jovem que não sabe bem o quer da vida, mas que acha que é na “Pérola da Ásia” que se vai encontrar e mudar todas as injustiças do mundo. Com ela viaja Marshall, um namorado de ocasião com quem ela passa a vida toda a discutir por tudo e por nada, mas que se vai mostrar uma peça fulcral no “jogo de xadrez” que se adivinha ao chegarem a Bangkok.

Uma vez nesta cidade deparam-se então com o “desejo” de Tuesday, um elefante branco amestrado, que segundo ela quer ser libertado dos seus donos, e duas irmãs adolescentes que foram vendidas pelos seus pais a uma rede de pedofilia, da qual tentam escapar sem grandes resultados. Tudo parecia perfeito para Tuesday, se não fosse ela não saber minimamente o que fazer para ajudar estes três “escravos” e não ter ninguém que a ajude, a não ser a ‘curte’ do momento, que faz tudo o que ela lhe pede, desde que depois ela não se importe de realizar alguns favores sexuais.

É neste ponto que a trama começa a azedar, porque em Bangkok todos são donos de alguém e se alguns há que se querem libertar, outros há que temem a liberdade por ‘viverem’ desde sempre em cativeiro. Tuesday depara-se então com um novelo de lã impossível de desenlear e que lhe virá a dar muitos dissabores.

Esta é uma mini-série com a qual me consegui identificar, por já ter vivido uma experiência semelhante a de ‘Tuze’ (não tão alucinante e complexa, é certo) e pela mesma ser um alerta para a nossa sociedade ocidental que tenta resolver os problemas dos outros, quando nós próprios não sabemos as respostas para os nossos próprios dúvidas, que deixamos abandonadas no nosso ‘quintal’, há espera que outros as resolvam por nós.

Se VP:BN é um alerta para a realidade já Vertigo Pop: Tokyo Days é a porta de entrada alucinante para o universo hipersónico que é a cidade de Tóquio.

Visto também na óptica de um ocidental, Steve (que ao longo de toda a história é chamado de ‘Stebu’) um jovem recém licenciado a viver o sonho de qualquer ‘computer geek’, viver em Tóquio e ter acesso diário a todas as gadgets Nipónicas. Este capítulo apresenta-nos de modo hilariante a sociedade Japonesa, o eterno formigueiro movido a ecstasy, que vive com um único objectivo, prosperar respeitando a ‘herança’ dos seus antepassados.

Tudo parece correr às mil maravilhas ao pobre rapaz até que choca com uma colegial Japonesa, que de anjelical nada tem e que vai meter Steve no alucinado mundo do Cosplay/J-Pop, no exacto momento em que um clã Yakuza (do mais incompetente que há em todo o Japão) tenta raptar a todo o custo uma das mais famosas Pop Stars Japonesas. Steve vai estar bem no meio de toda este furacão, mas vai ser incapaz de se desligar da mesma porque promete a Makiko que a ajudará a impedir o rapto do grande cantor (sim, claro que o panasquita está apaixonado por ela).

Esta obra vale imenso pelo traço que dá vida ao argumento de Jonathan Vankin porque está a cargo do alucinadamente genial Seth Fisher. Artista Norte-americano com quem em 2003 tive a oportunidade de me cruzar na sua vinda ao FIBDA, que em VP:TD aplica toda a sua mestria numa sequencialidade narrativa que alterna entre a simplicidade de um traço magistral, o cuidado com o detalhe (muitas vezes de uma minuciosidade Matemática), sempre com o intuito de nos fazer sorrir (o objectivo de vida do artista, o qual ele fazia questão de partilhar com todos os que o conheciam e acompanhavam a sua obra, até nos ter abandonado prematuramente em Janeiro de 2006).

Uma obra deverás original, mesmo que neste segundo caso o argumento seja algo linear, mas que mesmo assim resulta numa frescura que será muito difícil de vir a ser reproduzido por alguém que não seja, Seth Fisher.

Espero que vos tenha aberto o apetite com este meu singelo relato, aconselha-se que acompanhem a leitura com Saké e todos os álbuns das “5,6,7,8’s”. Procurem então por este livro não se irão arrepender.

By: DV

Seth and Henrique

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