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Rê Vê! 1

Echo Vol.1 – MoonLake TP

Há dez anos que eu esperava por este livro.

Não, não tenho poderes divinatórios, mas desde que tomei conhecimento do seu autor através de uma review na revista Wizard em 1998, que há muito que esperava pela oportunidade de poder partilhar com mais pessoas o respeito que tenho pelo artista em questão, pela sua capacidade artística e perseverança.

Nesse ano já a magna obra de Terry Moore, o seminal Stangers in Paradise ia na sua recta final e acabei por não poder experienciar em primeira mão a sensação de ler uma das mais significativas obras da literatura bedéfila norte-americana. Mesmo assim não desisti desse “sonho” e como quem espera sempre alcança, a meio deste ano de 2008 Terry Moore decidiu presentear-nos com um regresso em grande à Nona Arte em várias frentes (Runaways e Mary Jane na Marvel) sendo o facto mais significativo a nova série “Echo” publicada pela Abstract Studios.

Se “SiP” era um relato duro e cru do mundo feminino, já “Echo” é uma história sobre recomeços, novas oportunidades que todos desejamos que nos sejam concedidas quando nos vemos enterrados sobre os escombros de uma vida sem rumo.

Em Echo conhecemos Julie, uma fotografa da natureza prestes a divorciar-se do amor da sua vida, a quem nada corre bem e que acarreta ainda a responsabilidade de ser a tutora da sua irmã mais velha, internada numa instituição psiquiátrica, depois de ter perdido os seus dois filhos num acidente doméstico.

Para quem está habituado a ler comics de superheroismo e nada mais vai de certeza gostar desta série, porque em Julie estão presentes todos as qualidades e defeitos que podemos encontrar num qualquer Capitão America ou Batman. Por mais que vos possa parecer enfadonha a introdução que fiz à série, é daqui que advém toda a mestria de Terry Moore ao fazer-nos ficar fascinados com caracterizações profundas, raramente presentes em personagens a duas dimensões.

Para aqueles que mesmo assim estão prestes a mandar-me dar uma volta, tenham calma pois Echo é também uma intrincada trama de operações secretas e de experiências atómicas em solo Norte-americano.

Confusos? Ainda bem, pois Terry Moore é tudo menos linear.

Para além de todos os problemas que Julie tem, a personagem é também o peão que de um momento para o outro se vê transformada na “Rainha” que todos querem abater.

Passo a explicar, Julie estava no sítio errado à hora errada (tal como um certo Rick Jones há sessenta anos atrás no deserto de Mojave) a captar fotos no deserto de Moonlake para uma revista de vida selvagem, quando de repente se vê no papel de “dano colateral” ao levar com uma chuva de um estranho material nuclear, proveniente da destruição de um fato de combate durante um exercício militar.

Estando no centro dessa tragédia e sendo a única sobrevivente do mesmo (a mulher que vestia o projecto secreto, assim como o piloto do caça responsável pelo acidente são supostamente vaporizados no mesmo) Julie vê-se obrigada a fugir para não se tornar num rato de laboratório ou pior, ser assassinada para que lhe possam retirar o estranho líquido que se liga ao seu corpo, protegendo-a de todo e qualquer ataque e que a vai mesmo isolar de quase todo o contacto humano.

Para não estragar mais a história a quem gosta de descobrir tudo por si, realço agora a mestria na escrita de Terry Moore que nos faz ficar terrivelmente interessados quer nas acções dos personagens principais, assim como nas dos coadjuvantes tal é a profundidade psicológica que o escritor consegue imprimir a cada um dos vários personagens.

Desde Ivy, a versão feminina de James Bond assustadoramente competente e metódica, que lidera a perseguição a Julie; até a um dos motoqueiros que tem um fetiche por casacos de cabedal a cheirar a lilases, que ajuda em certo ponto Julie a escapar ao exército; passando pelo cão do ex-marido de Julie, que graças ao traço refinado de Moore (proveniente da escola cartoonista diária) consegue “comunicar” o que vai na alma do divertido animal que se faz entender a todos os personagens; não há um único personagem nesta intriga que não seja terrivelmente interessante.

Para quem está demasiado habituado às cores brilhantes presente nos comics mainstream esta série é perfeita, quer para vos descansar os olhos de todo esse brilhantismo, quer para vos fazer começar a apreciar a simplicidade grandiosa que um traço negro sobre fundo branco pode ter quando se quer contar uma história de maneira competente.

Não vão ficar arrependidos se adquirirem este primeiro tomo da série, pelo contrário poderão ficar terrivelmente viciados, como é o meu caso que leio e releio cada episódio durante os dois meses que tenho que esperar entre cada capítulo.

Diogo Valadas

Julie

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