SAYONARA SHIN CHAN!

•8 08UTC Outubro 08UTC 2009 • Deixe um Comentário

Foi encontrado morto numa montanha (Tomoiwa) no seu país Natal (Japão) o criador da série ‘Crayon Shin Chan’ Yoshito Usui. Yoshito tinha 51 anos e para além do famoso terrorista de ‘bibe’ foi criador de muitas outras séries (Mix Connection, Scrambled Egg, Super Shufu Tsukimi-san (ran in Manga Life), Supper Mix, Unbalance Zone) .

Até ao momento sabe-se que as causas desta morte foram uma distração. O autor estava a tirar fotos de um pricipicio no dia 11 de Setembro e terá escorregado rumo à morte.

Seth Fisher, Mike Wieringo, Michael Turner e agora Yoshito Usui…alguém anda a tentar que a equipa da Nono Express passe a ler menos Banda Desenhada.

From our man in Istambul:FIBDA 2009

•4 04UTC Outubro 04UTC 2009 • Deixe um Comentário

Este ano o FIBDA faz vinte anos e agora que parece ter uma casa fixa (logo veremos depois das eleições) vamos a ver como será este ano a “festança”.

Graças às livrarias especializadas continuamos a ter alguns autores de ‘comics’ presentes no festival, mas a lista dos autores que o próprio festival traz continua a ser caótica e repetitiva.

As editoras parecem ter desistido de vez de trazer autores ao FIBDA (Beja neste aspecto é mais merecedora dessa atenção, e ainda bem pois faz por merece-lo) e cada vez menos os autores Portugueses merecem destaque como cabeças de cartaz (algo que em todos os meios se verifica, da música ao Benfica, os executantes nacionais nunca merecem o mesmo respeito de um estrangeiro).

Vemos este ano o cosplay a subir de tom dentro do festival, mas apesar disso a atenção dada ao mundo nipónico continuar a ser quase nula.

Este evento realizado no espaço do FIBDA, neste momento vale o que vale apenas pela sua dimensão, porque em termos de condições muitos são os que se queixam de que o espaço reservado a este acontecimento é claustrofobico e que está organizado de forma caótica quando comparado com certames do mesmo estilo (Anipop e Yukimeet).

Há 10 anos atrás tivemos uma edição do FIBDA dedicada ao mundo dos ‘comics’, acho que está na altura do FIBDA se dedicar, nem que seja durante um ano ao Japão e à sua cultura bedéfila (uma ideia a pensar para a próxima edição).

Quanto aos Prémios nacionais da Banda Desenhada, cada vez mais se deviam chamar os Prémios ASA, por ser quase a única editora que merece avaliação por parte do júri, no que concerne à publicação de obras vindas de fora (dizem as boas línguas que é por ser a única que manda provas gratuitas das obras para o júri analisar).

A organização do concurso parece continua a não querer pesquisar por conta própria o que se faz em B.D. pelo nosso país fora (mesmo estando ligados ao CNBDI) e apesar de termos algumas situações que se aplaudem (finalmente autores independentes e pequenas editoras nomeados nas categorias principais) ainda não é este ano que deixámos de ter uma pequena polémica.

No ano passado vimos criada uma secção para “melhor álbum português publicado no estrangeiro”, que nos pareceu um bocado desligado da realidade por ter apenas um concorrente, o livro “Merci, Patron” de Rui Lacas.

O prémio valeu por ter mostrado aos “tubarões” editoriais que não precisamos deles para exportar o nosso produto artístico, mas este ano, que foi excelente em termos de autores Portugueses no estrangeiro, a organização decidiu que essa secção não teria nomeados.

Um grande erro, tendo em conta que tivemos cinco autores publicados lá fora, 3 deles nos EUA (Ricardo Tércio, João Lemos e Nuno Plati) e dois na Polónia (João Mascarenhas e José Carlos Fernandes).

Espero sinceramente que a causa desta falha não seja o facto de a maioria destes autores ter feito comics, porque se formos a ver bem, um comic tem o mesmo número de páginas de um álbum F/B, logo dá o mesmo trabalho a produzir (quiça mais, porque os autores em causa têm 20 dias para o produzir, enquanto que os de formato F/B têm quase um ano).

Mais uma vez a política de ‘”só nomeamos quem envia cópias à borlix para o júri’ está a fazer moça e a injustiçar aqueles que merecem reconhecimento.

Não se justifica que passado 20 anos, com um CNBDI por trás, não se saiba o que se publica no nosso país (ou lá fora) e se continue a requerer cópias gratuitas de uma obra, para que a mesma tenha o direito de ser analisada por um Júri de conhecedores da Nona Arte.

No final do Festival cá estaremos para comentar esta e outras polémicas, mas até lá, que todos os que visitem o FIBDA se divirtam e aproveitem para rever velhos amigos (e inimigos também).

E porque a vida de um velho do Restelo não pode ser só queixas aqui fica um momento de galhofa:

hulk

Aguenta Hulk! Estamos contigo!

Rê Vê! 3 – A Fórmula da Felicidade Vol.1

•24 24UTC Setembro 24UTC 2009 • 2 Comentários

 

Já dizia Christoper Walken algures nos anos noventa: ‘Study Math, kids. She has the secrets of the Universe.’.

A matemática é sem dúvida a mais abstracta e ao mesmo tempo simples ciência criada pela humanidade e muitos são os que já dizem até que através de números e fórmulas se pode explicar o Amor; algo que nós, os românticos e ingénuos defendemos ser impossível de desvendar. É pois de algo parecido que parte a premissa deste livro que vos apresentamos.

 

Filho de uma mulher de espírito livre como o vento presa a um vício que a destrói e de um disco de vinil de Jimmy Hendrix, Victor é um brilhante jovem Matemático que descobre como tornar lógico algo tão ilógico como um sentimento, através de uma fórmula que lhe permite a ele e a mais ninguém causar felicidade a quem o rodeia.

 

Como qualquer jovem inconformado com o mundo que o sufoca, Victor pretendia perceber como poderia encontrar a sua própria felicidade, mas acaba por desvendar algo que o torna tão cobiçado como se de um Messias se tratasse (uma posição na qual o personagem nunca pensou ser colocado, mas que acaba por aceitar como inevitável).

 

O primeiro volume da história acompanha o percurso que vai desde a infância ao momento em que Victor começa a fazer uso desta poderosa fórmula com a qual conseguir mudar momentaneamente a vida dos que ama e até daqueles que o desprezam.

Neste capítulo inicial, se ao mesmo tempo nos comovemos com as privações iniciais do personagem principal, também nos desiludimos quando já no final nos apercebemos que o nosso ídolo afinal tem pés de barro e que por mais que se ache superior a uma sociedade mesquinha, também ele comete os mesmos erros, acabando por se tornar numa espécie de dealer de felicidade.

Esta é uma daquelas histórias em que nos apetece ser um dos personagens, para que no momento em que o nosso herói se prepara para cometer um erro atrás de outro lhe possamos pedir que pare, pois sabemos de antemão que o arrependimento pode não matar, mas as suas acções podem afastar os que o amam e que sempre se preocuparam com ele.

 

De relevar a arte de Osvaldo Medina, uma arte madura, inovadora (por mim desconhecida) que transporta para uma infância passada, todos aqueles que viveram ou vivem no nosso Alentejo. Paisagens quentes, extensas e serenas, que ao serem contrastadas com as acções duras dos personagens que nelas se movimentam parecem minimizar a crueza das mesmas.

A narração visual que o artista faz deste Alentejo faz-me recordar a maneira como Virgílio Ferreira descrevia esta parte do nosso país em “A Aparição”, como uma terra desoladora para mentes menos resistentes à tristeza e para qual acabamos sempre por voltar por mais que lhe tentemos escapar.

 

Por razões de estratégia comercial optou-se por se dividir esta obra em dois volumes. Confesso que foi algo que não me agradou quando cheguei à página final da obra e me apercebi que teria de esperar mais um ano para saber o desfecho da mesma, mas acabei por aceitar porque também cheguei à conclusão de que algo tão bom não pode ser consumido de uma ‘colherada’ só.

Desta maneira vamos acabar por apreciar ainda mais a obra quando a mesma estiver completa, porque nos foi possível perceber cada ‘parcela’ da primeira parte desta ‘fórmula’ de Nuno Duarte e Osvaldo Medina.

 

Leva 4,5 vinhetas em 5 (o 0,5 fica para quando nos chegar a segunda parte).

formula

Cine Kritik II

•25 25UTC Agosto 25UTC 2009 • Deixe um Comentário

The Spirit – por Rui Inácio

Frank Miller foi dos primeiros argumentistas a passar da sétima para a nona arte em finais dos anos 80, mas até chegar às mãos de Robert Rodriguez as suas contribuições para a história do cinema resumiram-se a duas sequelas de Robocop muito pouco conseguidas, que tentavam passar para o celulóide a técnica narrativa de The Dark Knight Returns , obra com a qual Miller tinha sido mais que premiado enquanto argumentista / artista de comics.

Em 2005, Rodriguez apurou diversas técnicas cinematográficas/tecnológicas inovadoras que permitiram uma passagem quase perfeita de Sin City para o grande ecrã, e como se não bastasse, fez até algo proibido pelo sindicato dos realizadores ao convidar o próprio Frank Miller a co-realizar a obra, de maneira a que o resultado final fosse o mais próximo possível do original. A aposta de Rodriguez deu frutos (e que frutos) e ao mesmo tempo plantaram sementes na mente de Miller, que lhe viriam a permitir realizar um sonho de infância.

Will Eisner é sem dúvida o mais inovador criador de Banda Desenhada de sempre, o seu trabalho ao longo de mais de seis décadas nunca estagnou e ao contrário de muitos autores modernos, Eisner mantinha-se atento às inovações artísticas (que de certa forma se baseiam nas suas técnicas que revolucionaram o modo de se contar uma história nos anos 40-50) e aos 75 anos continuava a produzir maravilhosos romances gráficos repletos de dinamismo e sentimento de modernidade.

Miller, um apreciador devoto do trabalho de Will Eisner, tinha um sonho, adaptar uma das obras mais significativas do decano autor para que as novas gerações pudessem apreciar e compreender como Eisner é sem dúvida um dos criadores mais importantes da cultura Pop do Século XX. Para tal, Frank muniu-se das armas que o seu amigo Rodriguez lhe passará para as mãos aquando da realização de Sin City e mais do que tentar fazer uma transposição fiel do traço de Eisner para a tela de cinema, Miller criou um filme que, à sua maneira, tenta inovar o modo de narração cinematográfica com recurso às novas tecnologias, baseando-se livremente nas técnicas que Eisner deu ao mundo na Nona Arte.

O filme é rotulado por muitos como o Sin City ½ por utilizar até à exaustão as mesmas técnicas de blue/green screen , por tentar apelar aos apreciadores de filmes noir com as cores a serem utilizadas apenas em aspectos específicos do filme (e.g.: a gravata de Spirit, vermelha como o sangue, plenamente identificável nos fortes contrastes preto/branco que caracterizam o filme) e por não ser um clone perfeito da obra original.

Segundos as palavras de Frank é impossível imitar o que o mestre fez e o que Miller consegue no máximo é uma homenagens onde se tenta aqui e ali aplicar o dinamismo próprio da técnica narrativa de Eisner.

Nos EUA, o filme ficou aquém das expectativas dos distribuidores, assim como do público de filmes que se tem de consumir ao longo de seis anos e que não percebeu que um filme de super heróis não tem obrigatoriamente de ser um louvor ao heroísmo, sério e dogmático como nos temos vindo a habituar a ver, principalmente, nos filmes da Marvel.

The Spirit foi o primeiro anti-herói e foi-o, porque apareceu numa altura em que enquanto os grandes ícones lutavam contra o nazismo, Spirit mantinha a paz na sua cidade imaginária de uma forma humorística (e algo negra), em que as recompensas não eram louvores patrióticos, mas sim voluptuosas damas que se entregavam de corpo (e às vezes de coração) a um homem misterioso que era a antítese da imagem que a América dos anos 40-50 tinha de como as pessoas se deviam comportar.

Miller não faz uma transposição perfeita da criação de Eisner, mas é fiel ao que faz de Spirit, THE Spirit. Isto é, o humor negro e algo corrosivo está presente neste filme (a cena do gato cobaia é digna das melhores comédias britânicas), o lado bon vivant também não falta à chamada e mesmo que hoje em dia já não nos choque que um homem ou uma mulher tenham mais do que um parceiro sexual, a maneira como Miller nos apresenta o facto de Spirit ser um mulherengo faz-nos corar como se estivéssemos a ver o ‘Ultimo Tango em Paris’ pela primeira vez em 1975.

Será The Spirit uma obra incompreendida? Sim, podemos considerar que o é, mas o realizador tem algumas culpas no cartório.

O filme começa de forma dinâmica, as personagens e a forma de apresentação das mesmas são interessantes, mas à medida que o mesmo avança vai tornando-se previsível e termina de forma bem enfadonha, deixando em aberto uma possibilidade de sequela, à qual Miller, se for inteligente, nunca irá dar forma.

Miller consegue trazer o lado inovador de Eisner para a Sétima Arte e tal como Speed Racer esta obra ainda vai servir como base obscura a uma futura geração de cineastas, mas Frank falha redondamente ao tentar trazer para o mundo do celulóide o modo perfeito como Will Eisner contava uma história.

Frank Miller tem pelo menos a seu favor o facto de considerar que o seu filme é apenas uma tentativa modesta de homenagear um vulto da Nona Arte; uma atitude que faz falta à maioria dos realizadores, que se aventuram a adaptar obras/personagem de Banda Desenhada de uma maneira que eles consideram ser única e infalível.

Deixei para o final a referência aos actores que fazem este filme, porque a personagem principal desta obra nem sequer é a que lhe dá nome, mas sim a própria cidade que como Spirit diz, é a sua protectora e a sua amante.

È um filme que peca por apresentar muitas personagens num curto espaço de tempo (principalmente femininas) com muito pouca profundidade e que acabam por roubar tempo a outras personagens que deviam ser mais trabalhadas (e.g.: Inspector Doyle).

Destaco a mais que magistral interpretação de Samul L. Jackson que interpreta um psicótico e divertido Octopus, que na minha singela opinião consegue ser um vilão mais completo e original que o Joker de Heath Ledger; de destacar também a competente interpretação de Gabriel Macht, que apesar de não conseguir fazer brilhar na totalidade o personagem The Spirit, capta-o na sua essência, como Christopher Reeves conseguiu fazer com muito mais mestria em Superman. Em termos de argumento, Miller podia ter sido um pouco mais arrojado nas falas de Macht, o que o teria ajudado a estar mano-a-mano com Jackson, que definitivamente rouba a cena quando os dois partilham o ecrã.

O elenco feminino é quase amorfo; muitas meninas com mais silicone do que cérebro e que em termos narrativos servem apenas para Spirit fazer uso da sua arma mais mortífera, a sedução. Eva Mendes volta a desiludir como sempre o faz em filmes de acção mais sérios (ver Ghost Rider ou Once Upon a time in México) com o seu modo de representar ‘leitura de teleponto’; Scarlett Johansson apesar de representar uma personagem forte e interessante, neste filme (por mais que ela se recuse a admitir) mostra apenas ser a menina mimada e calculista que verdadeiramente é através da personagem Silk Floss. Do rol de actrizes aquela que mais presença terá será ainda Sarah Paulson, que no papel de filha do inspector Dolan representa de modo agradável a mulher na vida de Spirit que sabe que nunca vai ser dona do seu coração, mas que continua a amá-lo incondicionalmente, aproveitando as ‘migalhas’ que o herói lhe vai concedendo.

No geral é um filme que não desilude e que é aquilo que Frank Miller pretendia que fosse. Leva duas vinhetas e meia (em cinco) e o ‘meia’ que dá para piscar olho às três é graças a Samuel L. Jackson.

SPIRIT

Rê Vê! 2

•24 24UTC Abril 24UTC 2009 • Deixe um Comentário

Tokyo Days, Bangkok Nighs – Ou como ser “Big in Asia” com a Polícia atrás de nós.
Ásia, esse dragão adormecido e sedutor que clama por nós “aventureiros”, é a personagem principal deste livro que pode ser entendido como duas obras separadas, por compilar duas mini-série de um mesmo autor, mas que eu gosto de abordar como duas faces da mesma moeda. Digo-o porque considero que os fios narrativos de cada uma das duas histórias são passíveis de ser entrelaçados; ocupando cada uma delas uma parte das vinte e quatro horas presentes num dia, mesmo que a sua acção se passe a ‘n’ Km de distância e que os seus personagens não tenham a mínima noção da existência uns dos outros.

Devaneios à parte passarei a explicar porque me fascina este livro.

Desde os meus treze anos que ‘persigo’ o ‘dragão’ que referi no início desta critica e apesar de ter a consciência de que nunca na minha vida irei visitar o continente asiático, continuo a sonhar com ele e graças a obras como esta a tarefa é muito mais simples.

O livro mostra-nos acima de tudo como são este continente e as suas gentes indomáveis e como, por mais avançados que nós ocidentais nos consideremos, jamais nos iremos conseguir inserir ou compreender a sociedade Asiática (a não ser que sejam um dos autores que trabalhou numa das duas obras, que apesar de ser ocidental tinha provavelmente sido um samurai numa vida passada, pois criou um Japão como eu realmente o gosto de o imaginar).

O livro divide-se em duas mini-série: Vertigo Pop: Tokyo Pop, ilustrado por Seth Fisher, e Vertigo Pop: Bangkok Nights, por Giuseppe Camuncoli, sendo os dois escritos por Jonathan Vankin.

Começarei por falar de TP:BN, por ser aquele onde realmente me dei conta como nós ocidentais somos estúpidos quando achamos que podemos modificar algo tão complexo, caótico, mas ao mesmo tempo perfeito como uma sociedade Asiática e por me identificar um pouco com a personagem principal, Tuesday.

Esta é uma jovem que não sabe bem o quer da vida, mas que acha que é na “Pérola da Ásia” que se vai encontrar e mudar todas as injustiças do mundo. Com ela viaja Marshall, um namorado de ocasião com quem ela passa a vida toda a discutir por tudo e por nada, mas que se vai mostrar uma peça fulcral no “jogo de xadrez” que se adivinha ao chegarem a Bangkok.

Uma vez nesta cidade deparam-se então com o “desejo” de Tuesday, um elefante branco amestrado, que segundo ela quer ser libertado dos seus donos, e duas irmãs adolescentes que foram vendidas pelos seus pais a uma rede de pedofilia, da qual tentam escapar sem grandes resultados. Tudo parecia perfeito para Tuesday, se não fosse ela não saber minimamente o que fazer para ajudar estes três “escravos” e não ter ninguém que a ajude, a não ser a ‘curte’ do momento, que faz tudo o que ela lhe pede, desde que depois ela não se importe de realizar alguns favores sexuais.

É neste ponto que a trama começa a azedar, porque em Bangkok todos são donos de alguém e se alguns há que se querem libertar, outros há que temem a liberdade por ‘viverem’ desde sempre em cativeiro. Tuesday depara-se então com um novelo de lã impossível de desenlear e que lhe virá a dar muitos dissabores.

Esta é uma mini-série com a qual me consegui identificar, por já ter vivido uma experiência semelhante a de ‘Tuze’ (não tão alucinante e complexa, é certo) e pela mesma ser um alerta para a nossa sociedade ocidental que tenta resolver os problemas dos outros, quando nós próprios não sabemos as respostas para os nossos próprios dúvidas, que deixamos abandonadas no nosso ‘quintal’, há espera que outros as resolvam por nós.

Se VP:BN é um alerta para a realidade já Vertigo Pop: Tokyo Days é a porta de entrada alucinante para o universo hipersónico que é a cidade de Tóquio.

Visto também na óptica de um ocidental, Steve (que ao longo de toda a história é chamado de ‘Stebu’) um jovem recém licenciado a viver o sonho de qualquer ‘computer geek’, viver em Tóquio e ter acesso diário a todas as gadgets Nipónicas. Este capítulo apresenta-nos de modo hilariante a sociedade Japonesa, o eterno formigueiro movido a ecstasy, que vive com um único objectivo, prosperar respeitando a ‘herança’ dos seus antepassados.

Tudo parece correr às mil maravilhas ao pobre rapaz até que choca com uma colegial Japonesa, que de anjelical nada tem e que vai meter Steve no alucinado mundo do Cosplay/J-Pop, no exacto momento em que um clã Yakuza (do mais incompetente que há em todo o Japão) tenta raptar a todo o custo uma das mais famosas Pop Stars Japonesas. Steve vai estar bem no meio de toda este furacão, mas vai ser incapaz de se desligar da mesma porque promete a Makiko que a ajudará a impedir o rapto do grande cantor (sim, claro que o panasquita está apaixonado por ela).

Esta obra vale imenso pelo traço que dá vida ao argumento de Jonathan Vankin porque está a cargo do alucinadamente genial Seth Fisher. Artista Norte-americano com quem em 2003 tive a oportunidade de me cruzar na sua vinda ao FIBDA, que em VP:TD aplica toda a sua mestria numa sequencialidade narrativa que alterna entre a simplicidade de um traço magistral, o cuidado com o detalhe (muitas vezes de uma minuciosidade Matemática), sempre com o intuito de nos fazer sorrir (o objectivo de vida do artista, o qual ele fazia questão de partilhar com todos os que o conheciam e acompanhavam a sua obra, até nos ter abandonado prematuramente em Janeiro de 2006).

Uma obra deverás original, mesmo que neste segundo caso o argumento seja algo linear, mas que mesmo assim resulta numa frescura que será muito difícil de vir a ser reproduzido por alguém que não seja, Seth Fisher.

Espero que vos tenha aberto o apetite com este meu singelo relato, aconselha-se que acompanhem a leitura com Saké e todos os álbuns das “5,6,7,8’s”. Procurem então por este livro não se irão arrepender.

By: DV

Seth and Henrique

CineKritik I

•20 20UTC Abril 20UTC 2009 • Deixe um Comentário

Speed Racer review por Rui Inácio

Depois de Robert Rodriguez, Frank Miller e Zack Snyder usarem e abusarem da técnica green-screen / blue-screen, era óbvio que os criadores da saga Matrix (Wachowski Bros., 1999) tentassem também essa mesma proeza.

O resultado: uma ‘bomba’ nas receitas de bilheteira com pouco mais de 90 milhões de dólares ganhos dos 120 milhões gastos na produção.

Speed Racer (Emile Hirsch) é um Ás ao volante do seu Mach 5 ao lado de Pops Racer (John Goodman), Mom Racer (Susan Sarandon), da namorada Trixie (Christina Ricci) e do misterioso Racer X (Mathew Fox). Tudo isto o vai levar ao lado mais oculto das corridas de alta velocidade!

Speed Racer foi severamente castigado na crítica e saiu a alta velocidade das salas de cinema. O problema em termos de box-office foi, dizem o seu visual muito infantil e um trabalho completamente diferente do que os irmãos Wachowski nos habituaram, levando o público a não acreditar no projecto. Mas o problema maior foi os próprios realizadores terem levado este filme demasiado a sério e ter levado com concorrentes de peso: Indiana Jones e a Caveira de Cristal (Steven Spielberg,2008); A Múmia – O Tumulo do Imperador Dragão (Rob Cohen,2008) e até mesmo o maior peso pesado, O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan,2008).

Aparte de algumas cenas mais infantis (Ninjas!), esta é de todo uma produção CGI a cargo de John Gaeta que trabalhou com os irmãos na saga de Neo, que com um visual bastante colorido vai buscar referências à banda desenhada original (com várias sobreposições de imagens até), e do próprio Animé que deu origem a este franchising.

É certo que se baseia numa história simples, mas que sem ser muito complexa acaba por nos cativar. Os actores têm uma prestação razoável (visto que não se trata de algo que puxe muito pela interpretação), estando o ponto forte nas cenas de acção: corridas espectaculares (que em certo ponto na prova ‘Casa Cristo’ faz lembrar os desenhos animados Wacky Races ) acompanhadas da excelente banda sonora de Michael Giacchino (The Incredibles; Mission: Impossible 3) que contem um toque de cartoon influênciada pelo feeling dos anos 60, o que faz deste Speed Racer puro entretenimento e nada mais.

Se são amantes do desporto automóvel, mantenham-se afastados de Speed e família, mas para quem gosta de entretenimento em quatro rodas sem puxar muito pela massa cinzenta, aconselho a dar uma espreitadela.

Cabe agora aos irmãos Wachowski voltarem a subir ao pódio, mas não com outro Speed Racer (o que para mim é uma pena) mas com algo que valha a pena esperar: Plastic Man? Outro Matrix? Quem sabe!

Dou-lhe 3,5 Vinhetas (em 5).

speed

Rê Vê! 1

•20 20UTC Abril 20UTC 2009 • Deixe um Comentário

Echo Vol.1 – MoonLake TP

Há dez anos que eu esperava por este livro.

Não, não tenho poderes divinatórios, mas desde que tomei conhecimento do seu autor através de uma review na revista Wizard em 1998, que há muito que esperava pela oportunidade de poder partilhar com mais pessoas o respeito que tenho pelo artista em questão, pela sua capacidade artística e perseverança.

Nesse ano já a magna obra de Terry Moore, o seminal Stangers in Paradise ia na sua recta final e acabei por não poder experienciar em primeira mão a sensação de ler uma das mais significativas obras da literatura bedéfila norte-americana. Mesmo assim não desisti desse “sonho” e como quem espera sempre alcança, a meio deste ano de 2008 Terry Moore decidiu presentear-nos com um regresso em grande à Nona Arte em várias frentes (Runaways e Mary Jane na Marvel) sendo o facto mais significativo a nova série “Echo” publicada pela Abstract Studios.

Se “SiP” era um relato duro e cru do mundo feminino, já “Echo” é uma história sobre recomeços, novas oportunidades que todos desejamos que nos sejam concedidas quando nos vemos enterrados sobre os escombros de uma vida sem rumo.

Em Echo conhecemos Julie, uma fotografa da natureza prestes a divorciar-se do amor da sua vida, a quem nada corre bem e que acarreta ainda a responsabilidade de ser a tutora da sua irmã mais velha, internada numa instituição psiquiátrica, depois de ter perdido os seus dois filhos num acidente doméstico.

Para quem está habituado a ler comics de superheroismo e nada mais vai de certeza gostar desta série, porque em Julie estão presentes todos as qualidades e defeitos que podemos encontrar num qualquer Capitão America ou Batman. Por mais que vos possa parecer enfadonha a introdução que fiz à série, é daqui que advém toda a mestria de Terry Moore ao fazer-nos ficar fascinados com caracterizações profundas, raramente presentes em personagens a duas dimensões.

Para aqueles que mesmo assim estão prestes a mandar-me dar uma volta, tenham calma pois Echo é também uma intrincada trama de operações secretas e de experiências atómicas em solo Norte-americano.

Confusos? Ainda bem, pois Terry Moore é tudo menos linear.

Para além de todos os problemas que Julie tem, a personagem é também o peão que de um momento para o outro se vê transformada na “Rainha” que todos querem abater.

Passo a explicar, Julie estava no sítio errado à hora errada (tal como um certo Rick Jones há sessenta anos atrás no deserto de Mojave) a captar fotos no deserto de Moonlake para uma revista de vida selvagem, quando de repente se vê no papel de “dano colateral” ao levar com uma chuva de um estranho material nuclear, proveniente da destruição de um fato de combate durante um exercício militar.

Estando no centro dessa tragédia e sendo a única sobrevivente do mesmo (a mulher que vestia o projecto secreto, assim como o piloto do caça responsável pelo acidente são supostamente vaporizados no mesmo) Julie vê-se obrigada a fugir para não se tornar num rato de laboratório ou pior, ser assassinada para que lhe possam retirar o estranho líquido que se liga ao seu corpo, protegendo-a de todo e qualquer ataque e que a vai mesmo isolar de quase todo o contacto humano.

Para não estragar mais a história a quem gosta de descobrir tudo por si, realço agora a mestria na escrita de Terry Moore que nos faz ficar terrivelmente interessados quer nas acções dos personagens principais, assim como nas dos coadjuvantes tal é a profundidade psicológica que o escritor consegue imprimir a cada um dos vários personagens.

Desde Ivy, a versão feminina de James Bond assustadoramente competente e metódica, que lidera a perseguição a Julie; até a um dos motoqueiros que tem um fetiche por casacos de cabedal a cheirar a lilases, que ajuda em certo ponto Julie a escapar ao exército; passando pelo cão do ex-marido de Julie, que graças ao traço refinado de Moore (proveniente da escola cartoonista diária) consegue “comunicar” o que vai na alma do divertido animal que se faz entender a todos os personagens; não há um único personagem nesta intriga que não seja terrivelmente interessante.

Para quem está demasiado habituado às cores brilhantes presente nos comics mainstream esta série é perfeita, quer para vos descansar os olhos de todo esse brilhantismo, quer para vos fazer começar a apreciar a simplicidade grandiosa que um traço negro sobre fundo branco pode ter quando se quer contar uma história de maneira competente.

Não vão ficar arrependidos se adquirirem este primeiro tomo da série, pelo contrário poderão ficar terrivelmente viciados, como é o meu caso que leio e releio cada episódio durante os dois meses que tenho que esperar entre cada capítulo.

Diogo Valadas

Julie

Pixel Heroes I

•20 20UTC Abril 20UTC 2009 • Deixe um Comentário

Ultimate Spider-Man: análise!

As conversões banda desenhada/videojogos, tal como as adaptações cinema/videojogos (e vice-versa), são normalmente olhadas com desconfiança pelos jogadores, receosos da trituradora máquina de marketing por trás de cada licença e da visão muitas vezes redutora e gananciosa das editoras. Spider-Man, criação de Stan Lee e Steve Ditko e uma das mais famosas e lucrativas séries da Marvel, conta com mais de 40 anos de publicação no meio da banda-desenhada e ao longo da sua história foram feitas muitas conversões – de qualidade questionável – das suas aventuras para o mundo dos videojogos (o primeiro remonta ao ano de 1982 e à Atari 2600, num total de mais de vinte títulos http://en.wikipedia.org/wiki/Spider-Man_video_games).

Após um período negro em meados dos anos 90 em que a Marvel atravessou grandes dificuldades financeiras, no início do novo milénio a personagem ressurgiu simbolicamente com uma nova força através do “remake” Ultimate Spider-Man (argumento de Brian Michael Bendis e arte de Mark Bagley) e de uma aclamada – crítica e financeiramente – transição para o mundo do cinema pela mão do realizador Sam Raimi. Isto serviu de catalisador e pretexto para uma conversão do filme para videojogo, e foi então que a Neversoft deu, definitivamente, um novo estatuto e respeito ao super-herói na indústria dos videojogos, inteligentemente focando a experiência nas potencialidades dos super-poderes da personagem. A sequela – mais uma vez adaptação, desta feita da segunda incursão cinematográfica do aranhiço –, agora desenvolvida pela Treyarch, instaurou uma nova mecânica de jogo sandbox e free-roaming http://en.wikipedia.org/wiki/Sandbox_game#Sandbox_mode na série e conseguiu libertar-se do estigma de conversão fiel ao cinema, dando outro espaço à personagem para ser desenvolvida. Em Outubro de 2005 foi editado Ultimate Spider-Man, “sequela espiritual” de Spider-Man 2 e título aqui analisado na sua versão PS2.

O universo Ultimate é uma recriação da história de várias personagens Marvel, existindo num mundo paralelo criado para suscitar o interesse de um novo público e revisitar as origens dos super-heróis de forma alternativa, colocando-os num mundo contemporâneo e mudando diversos aspectos da sua vida. Em Ultimate Spider-Man vemos um Peter Parker jovem, ainda estudante de liceu e webdesigner em part-time no Daily Bugle, situando-se a história três meses após a libertação da substância que originou Venom, um velho amigo de Parker que se deixou consumir pela simbiose – note-se que o enredo foi escrito pelo próprio Brian Michael Bendis http://www.comicbookresources.com/?page=article&id=5069, enquadrando-se no cânone da série: foi recentemente adaptado à BD no último arco narrativo.

Enquanto videojogo, Ultimate Spider-Man pode ser encarado como uma espécie de spin-off, tal como a sua congénere de banda desenhada; contudo, a mecânica deve a sua estrutura quase por completo à obra anterior da Treyarch, sendo também, tal como nos comics, essencialmente uma reinterpretação, neste caso, a nível da jogabilidade, de Spider-Man 2. A diferença mais notória é que desta vez iremos controlar ao longo da aventura – alternando entre ambos automaticamente até ao final do jogo – duas personagens distintas: Spider-Man e Venom.

O controlo de Spider-Man caracteriza-se pela grande sensação de liberdade que transmite ao jogador, com uma impressionante – para os “standards” da PS2 – recriação livre de Nova-Iorque, decorrendo o jogo sobretudo na zona de Manhatan e Queens. Na pele do cabeça de teia vamos encontrar um sistema de missões que nos fazem progredir na história e que para serem desbloqueadas requerem a execução de um determinado número de tarefas menores – combates contra gangues, city events (impedir assaltos, levar pessoas feridas ao hospital…), corridas e procura de centenas (literalmente) de ícones escondidos pela cidade. Estas pequenas missões acabam por se perder numa monotonia e repetição desnecessárias, enquanto as missões principais, onde se desenvolve a narrativa, se aproximam demasiado de uma jogabilidade de tentativa e erro frustrante e de lutas – ou corridas – banais contra bosses.

A presença de Venom traria, supostamente, uma nova abordagem; no entanto, enquanto não terminarmos a aventura principal e desbloquearmos a capacidade de alternar livremente entre as duas personagens, as fases em que controlamos a personagem resumem-se, novamente, a lutas contra bosses ou a um Beat’em up muito limitado e simplista que incentiva ao “button-mashing”.

Este é um título claramente desequilibrado, em que o atraente grafismo – uma tecnologia derivada do cel-shading que o tenta aproximar ao estilo de Mark Bagley (que trabalhou no design das personagens) e de uma banda-desenhada digital (pormenor realçado nas cutscenes pela utilização de painéis) – e o playground cedido ao jogador encontram uma importante contradição numa mecânica de jogo que se repete exaustivamente. Há duas personagens divergentes para controlar e uma cidade aberta à exploração – mas não há nada que valha a pena descobrir. Logo na primeira hora de jogo Ultimate Spider-Man revela todas as suas virtudes e defeitos, encontrando-se tão dividido quanto a dicotomia que tenta impor com o confronto entre o seu herói e anti-herói. No entanto, comparado com a maioria das conversões medíocres de outros media a videojogo que inundam o mercado, destaca-se nesse subgénero, funcionando melhor como uma espécie de comic interactivo – a originalidade das cutscenes, a arte de Mark Baigley e o argumento de Brian Michael Bendis são os seus pontos fortes – do que como uma cópia modesta da estrutura de um Grand Theft Auto com super-heróis. 6.5/10
www.escrevervideojogos.blogspot.com

Cumps,

Ruben D

Luzes, camara..vinhetas!

•14 14UTC Fevereiro 14UTC 2009 • Deixe um Comentário

Como a Nona Arte também existe em formato celulóide, a partir de hoje teremos uma coluna para discutir os filmes sobre e baseados em BD e derivados.

O primeiro contribuidor será Rui Inácio, um curioso nesta área que já merecia um espacinho destes para falar do que sabe.

A primeira vítima será o filme “Speed Racer”, o filme menos compreendido do passado Verão de ‘blockbusters’, mas que o Rui tentará dissecar até vos fazer compreender como esta é uma obra-prima a mais de 300 Km/h.

Para o próximo mês teremos o Spirit na secção:

 

CineKritik 

Rê Vê!

•24 24UTC Novembro 24UTC 2008 • Deixe um Comentário

Olá a todos. É verdade. Uma nova coluna, um novo colunista. E este é um amigo de longa data que decerto será uma cara familiar para todos. O Diogo já trabalhou na NIMP em ambas as lojas, foi o responsável pela furtiva entrada da NIMP no mundo da edição de magazines de Banda Desenhada. É com uma enorme satisfação que actualizo o blog com uma peça dele.

A título de curiosidade, o Diogo tornou-se amigo da NIMP quando vendia, em lojas especializadas no assunto, a sua Sketchbook. Um fanzine que ele coordenava, que saia de 3 em 3 meses, e que durou três números. Os suficientes para lhe ser atribuído, pela critica e pelos fãs, os prémios de melhor fanzine em 2006 pela Central Comics. Na sua pull list o Dê Vê tem o novíssimo Spawn do Portacio bem como Echo e Authority.

Nesta primeira colaboração falará sobre o seu ‘amor’ mais recente: Echo de Terry Moore.

Brevemente, Vertigo Pop em

Rê Vê!

Erege!