Chegamos à primeira semana de 2012 e as revistas/sites/blogs de várias especialidades degladiam-se para ver quem anuncia a lista essencial das coisas mais ‘docinhas’ que se fizeram no ano que passou.
Nós aqui no blog da ‘Comunidade’, achamos que essas listas não passam de um bando de palermices de malta que espera receber umas cópias à borla e decidimos iniciar este ano os grandiosos Trofeus “Os parolos da BD Portuguesa’.
Sim, esperamos imensas ameaças de morte depois de fazer isto (e até ficaremos tristes se não recebermos nenhuma), mas gostaríamos igualmente de lembrar os nomeados que decidirem passar das ameaças às acções, que se lembrem que, tal como escreveu Oscar Wilde, ‘Falem bem ou falem mal, o que interessa é que falem de vós (sim, estamos a fazer publicidade gratuita).’
E pronto, explicados os motivos para nos metermos nesta aventura, aqui vamos nós apresentar os vencedores (e razões para serem os vencedores) e prometemos que para o ano fazemos uma votação on-line, para não sermos acusados de não ouvirmos a voz do povo e de favorecermos este ou aquele candidato só porque é nosso inimigo pessoal.
Primeira Categoria – Editora Parola do Ano.
A vencedora desta categoria é uma casa editorial que se está pouco interessando para: o que se publica no nosso país; para a qualidade dos seus produtos ao chegar às mãos do consumidor final e com a opinião e desejos de quem segue religiosamente os seus títulos nas bancas.
Já adivinharam quem é? Exactamente é a ….
PANINI
Há quem lhe chame a salvadora do Zé Povinho que quer ler ‘histórias em quadrinhos’ a preço da uva mijona, mas nós conhecemo-la por ‘A Contrabandista’
Mais conhecida por publicar em todo o mundo Cadernetas de Cromos para jovens(e não só) Zombies; esta casa editorial é também a detentora dos direitos de publicação de tudo o que é Comics, Mangá e afins para metade da Europa e Brasil, e chegou ao nosso país em 2006 para dominar o mercado editorial de periódicos.
Desde então tem vindo a descarregar nas nossas bancas o que não se vende no mercado Brasileiro, em péssimo estado, sem qualquer noção de distribuição nacional (ainda há cidades / vilas onde não se vende BD desde o desaparecimento da Devir das bancas) e com um completo desprezo para com os que compram os seus títulos.
É grave quando uma editora que quer ser líder de mercado, responde com respostas automáticas aos e-mails que lhe são enviados, quando alguém tenta mostrar o seu desagrado com as más condições dos produtos distribuídos, ou até com pedidos de publicação de títulos significativos para o mercado nacional, que são distribuídos no Brasil, mas que não o são cá.
É triste também saber que o ponto de entrada de muitos jovens no mundo da Banda Desenhada é uma gigantesca máquina editorial, sem voz própria, dominada além fronteiras nacionais por executivos que nada mais fazem que mandar despejar o que lhes enche os armazéns nas nossas bancas, impedindo que editoras nacionais peguem nesses títulos e os publiquem, criando assim postos de trabalho nesta área (este último parágrafo foi um bocado ‘extrema direita meets extrema esquerda’, mas prometemos que daqui para a frente seremos totalmente anarquistas).
Segunda Categoria – Álbum Nacional mais Parolo.
Este foi um ano cheio de confusões nos diversos Trofeus da especialidade, em que não se soube muito bem em que categorias meter certos álbuns devido a ISBNs, tiragens ou proveniências editoriais dos mesmos, mas nós na Nono Express, não sabemos sequer o que é um ISBN e não ligamos a essas birrinhas e preciosismos editoriais (como dizia o saudoso Luiz Pacheco) e vamos ser directos e fofinhos nomeando para Àlbum Nacional Mais Parolo …
As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy – Volume 2 (Tinta da China Edições)
Somos os primeiros a admitir que foi difícil nomear só um e, na recta final, ainda tivemos indecisos entre o NewBorn – 10 Dias no Kosovo, do Ricardo Cabral (que não passa de um devaneio de ganzas) e o ‘As Incríveis Aventuras’, mas depois lemos com olhos bem parolos o segundo volume desta série e chegamos à conclusão que é a Banda Desenhada mais parola e cheia de lugares comuns que lemos durante todo o ano de 2011.
Damos uns pontinhos para o piscar de olhos à cultura nacional que os desenhadores, mesmo que Argentinos souberam reproduzir neste segundo tomo, mas todo o livro é um autêntico Endless Nameless Caos (sim, somos fãs de Nirvana), com personagens a aparecer não se sabe bem de onde, sem qualquer desenvolvimento das mesmas, com grandes ‘buracos’ no argumento e com o final mais ‘pãozinho sem sal’ que alguma vez vimos.
É nos difícil aceitar que este segundo volume paupérrimo seja o seguimento do primeiro livro que foi uma lufada de ar fresco no nosso panorama Bedéfilo, pois não passa de uma sequela, que parece ter sido feita à pressa para um dia destes agradar ao mercado mentecapto Norte-Americano, quando podia ter sido o grande livro de 2011.
Esperamos, muito sinceramente, um terceiro volume menos feito em cima do joelho, porque se há coisas que não gostamos são sequelas mal amanhadas, como todos os filmes de zombies do Romero são (sim, somos fãs do Carpenter e achamos o Romero um Tótó).
Terceira Categoria – Argumento Nacional mais Parolo.
Ao contrário de muita gente, nós veneramos argumentistas e sabemos quando lhe dar o devido valor, mas também os sabemos espicaçar quando é mesmo preciso. E assim sendo o vencedor desta categoria é …
‘O Pequeno Deus Cego’ de David Soares
Passamos desde já a avisar que somos seguidores fiéis do argumentista em questão, e se o nomeamos é porque não compreendemos como é que alguém capaz de obras tão profundas como Sammahel, a Última Grande Sala de Cinema ou Mr. Burroughs é capaz de nos presentear com um álbum tão enfadonho e pobre como ‘O Pequeno Deus Cego’.
Já com o anterior Mucha (também na Kingpin Books) aqui os Parolos tinham ficado com um amargo de boca depois de ler esta obra; mas agora que se pretendia apresentar um trabalho memorável nesta casa editorial, não se compreende o porquê de uma obra tão desinteressante, que chega em certos momentos a roçar o vulgar (começar um livro com uma personagem a masturbar-se para cima de um sapo demonstra um claro desejo do autor de apenas chocar e não de inovar).
Esperamos para 2012 um regresso de David Soares às ‘origens’ e a saber aproveitar as oportunidades que a Kingpin Books lhe tem dado, quer em termos de edição (em termos técnicos o álbum está imaculado e a aposta no formato mais reduzido foi a mais acertada), quer em termos de artistas com quem David Soares tem tido a oportunidade de trabalhar nesta editora (Osvaldo de Sousa e Mário Freitas salvam e de que maneira ‘Mucha’ e o jovem talento Pedro Serpa é subaproveitado em ‘O Pequeno Deus Cego’).
Quarta Categoria – Arte Nacional mais Parola de 2011.
Esta foi a categoria onde houve uma extrema sintonia entre todos os jurados (pudera estava santola à borla na mesa) e o nomeado merece ser o vencedor não só pelo seu pouco talento na categoria em que o nomeamos, mas também pela incapacidade de quem o publica de ver que o artista precisa de voltar à escola de arte ou, quiça, enveredar por outras áreas.
Ora, sem mais demoras, o vencedor é …
Hugo Teixeira em ‘Mahou: Na origem da Magia’
É verdade que o nomeado é um auto-didacta esforçado, mas não se entende como é que numa editora infalível como a ASA, não existe um editor/a que puxe as orelhas ao artista em causa e o obrigue a redesenhar vinhetas/páginas onde se pode ver claramente a incapacidade do artista em desenhar, por exemplo, seres humanos.
Se até os leitores Parolos (a.k.a.: nós, que nunca passámos da 4ª classe) encontram erros de anatomia (mesmo no estilo Mangá tem de haver respeito pela anatomia); perspectiva e continuidade (personagens que não conseguem manter as feições iguais de vinheta para vinheta, na mesma página), como é que passa debaixo de olhos treinados de editores experientes as verdadeiras calinadas artísticas que o desenhador Hugo Teixeira dá ao longo de todo um álbum?
O álbum Mahou: Na origem da Magia tinha tudo para começar uma série de sucesso no nosso país, pois vem explorar um filão muito apreciado pelos jovens leitores, a feitiçaria (Harry Potter, wink,wink), mas com uma arte assim tão pobre, não passa de uma grande desilusão.
As cores estão bem tratadas e apelativas (o ponto forte de Hugo Teixeira), o albúm apresenta um argumento competente (ainda que simples) por parte da argumentista/co-autora Ana Vidazinha; mas com um artista tão fraco, dificilmente esta série passará de uma nota de rodapé na história da Nona Arte em Portugal.
Percebe-se que a ASA aposta em Hugo Teixeira, um autor mais esforçado e cumpridor de prazos, porque ficou um pouco escaldada com os autores Filipe Andrade e Rui Lacas, que lançaram séries mais apelativas no ano de 2010, para logo em seguida as deixarem em banho maria e partirem rumo a outros projectos.
Mas mesmo assim não se justifica deixar passar tantos erros num produto, que provavelmente terá a sorte de ser apresentado em Angouléme, a outras congéneres da editora ASA, e que basicamente dirá ao resto da Europa que o artista Hugo Teixeira é o melhor que temos no nosso país, quando não o é.
Quinta Categoria – Revista sobre Banda Desenhada Mais Parola de 2011
Sabemos muito bem que com o advento da internet é cada vez mais difícil publicar um periódico sobre Nona Arte e conseguir fazê-lo aguentar, mas quando se é quase o único a fazê-lo, pede-se, no mínimo, aos responsáveis pelo mesmo, que tentem ser abrangente em termos de público e que não se encostem à sombra da bananeira.
E assim sendo, na nossa singela opinião, o mais parolo do ano neste categoria é o …
BD Jornal (Pedro No Charco edições)
O que é que é pior que não existir nenhum periódico sobre BD no nosso país?
É existir uma revista como o BD Jornal que em quase seis anos de existência, peca por ser o meio de comunicação mais enfadonho que já existiu na Nona Arte.
É verdade que está quase a chegar às trinta edições, um feito no nosso mercado actual, mas se são os próprios responsáveis pela revista que dizem que é cada vez mais difícil vender a dita cuja, não será tempo de pensar bem nas causas e arranjar uma solução para esse marasmo?
Pelos últimos dois números publicados este ano, parece que a equipa que o cria considera que não vale a pena tentar tornar o BDJornal mais chamativo, e a desculpa parece ser sempre a mesma, a crise, mas muito sinceramente vemos cada vez mais revistas dedicadas ao público jovem a aparecer nas bancas e nenhuma se queixa da crise.
Não será tempo de apostar num design interior mais apelativo, ao invés dos simples e verdadeiros monólitos de texto que preenchem as páginas desta revista?
Definitivamente, o BD Jornal tem de levar com uma revitalização nos queixos ou então qualquer dia a revista desaparece de vez, ao invés de captar o público que é necessário, os mais jovens.
Não basta estar nos escaparates de vendas das FNACs como esteve em 2011, há também que prender a atenção dos diversos públicos que se podem interessar pela revista, bastando que para isso se aposte na qualidade gráfica ao invés de apenas na quantidade/qualidade textual.
E já agora, será que o acordo ortográfico também chegou ao critério de escolha de autores a publicar nas páginas do BD Jornal?
É que eu ainda sou do tempo em que o BD Jornal (ainda formato gigante) se orgulhava de ser a publicação que mais autores Portugueses publicava, e neste momento não passa de um refugo de autores Brasileiros de qualidade duvidosa.
Sexta Categoria – Iniciativa relacionada com Banda Desenhada Mais Parola de 2011
Conhecemos um gajo meio marado na margem sul do Tejo que costumava dizer, “Na música Portuguesa há uma ‘mafía’ que não deixa ninguém ser conhecido a não ser eles’. Aos malucos dizemos sempre que sim, mas nunca pensamos que essa ‘mafía’ um dia chega-se à Nona Arte. Assim sendo, a vencedora desta categoria é nada menos, nada mais que …
Colecção Grande Grupos Musicais Portugueses (Tugaland)
É verdade que iniciativas que permitam a bons autores nacionais serem publicados no nosso país são sempre de louvar, o problema é que quando as iniciativas servem só para engraxar sapatos que já estão mais que engraxados.
Será que a editora Tugaland não podia ter antes dado a oportunidade a esses bons autores nacionais de publicarem obras suas, no formato luxuoso em que foi apresentada esta colecção?
Os autores são muito bons, mas mereciam melhor que contar a história de grupos musicais Portugueses, que como todos sabemos são as únicas musiquitas Portuguesas que passam na RFM. É basicamente uma colecção de historietas glamourizadas, que tem como único intuito tentar mostrar aos olhos das novas gerações que essas bandas comerciais afinal são umas porreiraças (agora até parecíamos o Lester Bangs).
Chega de explorar os nossos autores com projectos mediocres, e plagiando o nosso PR pedimos: “Deixem-nos criar!”
Sétima Categoria – Evento de Banda Desenhada Mais Parolo de 2011
Mais uma categoria onde reinou a unanimidade (já havia champanhe na mesa), e já há muitos anos que o queríamos nomear…
Um festival onde para entrar de borla bastava lá chegar com umas cuecas na cabeça tem tudo para ser o evento mais parolo do ano.
Mas falando mais a sério, este ano até deram primazia aos autores nacionais, mas o motivo para usar a prata da casa foi apenas o corte no orçamento milionário, por parte da Câmara Municipal da Amadora.
Assim meteu-se um travão aos convites desenfreados a autores que ninguém conhece, de latitudes mais que estranhas (ainda que se tenha continuado a convidar viúvas de autores) e lá se elevaram os Portugueses a Reis/Rainhas da festa; mas o pior é que mesmo com um corte no orçamento, este continua a ser desperdiçado em contra-placados, ao invés de se melhorar aquilo de que há alguns anos para cá toda a gente vem a apontar e que parece escapar à organização deste certame, que há ano após ano vai perdendo cada vez mais público.
Valha-nos o Festival Internacional de Beja, que de ano para ano nos vai fazendo acreditar que é possível fazer um festival de Banda Desenhada competente no nosso país.
Oitava Categoria – Filme relacionado com Banda Desenhada Mais Parolo de 2011
De há uma década para cá, todos os anos temos direito a uma ou duas adaptações de uma Banda Desenhada para o celulóide, este ano tivemos um boom (cinco filmes de BD) e estivemos quase a nomear o Lanterna Verde, mas no último instante decidimos que o parolo máximo nesta categoria teria de ser…
AS AVENTURAS DE TIN-TIN
O que é que é consegue ser pior do que todas as piores adaptações jamais feitas?
Resposta, um filme completamente rodado com recurso à técnica de motion-capture, que vem reciclar uma história do Tin-Tin que já foi mais que recontada (O Tesouro do Licorne de Ouro) e que para nada mais serviu do que para vender uns quantos bonequinhos minúsculos a preços proibitivos à criançada.
Deixem a criação do senhor Hergé em paz, só vos fazia bem. O filme foi enfadonho, ponto final sem direito a parágrafo.
Nona Categoria – Loja de Banda Desenhada Mais Parola de 2011
Com esta categoria arriscamo-nos a ser banidos para sempre da mesma, mas uma vez que já fechou não há que ter grandes medos, a vencedora desta categoria é…
A loja que ganha esta categoria já foi a MELHOR livraria de Banda Desenhada em Portugal, mas quando era a MELHOR também era conhecida por CENTRAL COMICS.
Quando apareceu, esta livraria veio mostrar às duas maiores livrarias especializadas em Banda Desenhada no nosso pais que havia um sítio onde os clientes recebiam um serviço excelente sem terem de ser objecto de chulice.
Durante alguns anos conseguiram oferecer um serviço sem falhas, com preços justos e com direito a diversas iniciativas, que deram alguma cor ao panorama nacional da Nona Arte (sendo a mais significativa de todas os Trofeus Central Comics), mas o mercado começou a tornar-se difícil e os tempos negros começaram a chegar.
Infelizmente, o que é bom não dura para sempre e em 2010, a loja mudou as suas instalações, e ao mesmo tempo mudou também de nome, o que lhes causou uma perca volumosa de clientes e apagou de vez a identidade de uma livraria que, à sua maneira, fez muito por todos os que lêem Banda Desenhada em Portugal.
Porque a consideramos então a mais Parola do Ano?
Porque neste últimos meses de existência a livraria, para além de ter passado a ser uma loja de merchandizing sem identidade própria, descurou os seus serviços, passando a ser uma sombra da grande livraria que já tinha sido e pior ainda foi o comunicado que emitiram aquando do seu fecho definitivo para justificar a desistência.
Não há nada pior que por as culpas nos outros, mas foi o que eles fizeram ao considerarem que uma das principais razões para o fecho da loja foi o facto de outras pequenas livrarias não se aliarem a eles em prol de um objectivo comum.
Para nós, isso foi o derradeiro canto de um cisne muito amargurado, porque não há nada pior que tentar justificar as nossas falhas com terceiros, que pouco ou nada tem a ver com as suas próprias incapacidades.
Recordaremos com respeito a livraria Central Comics, mas não teremos nem um pouco de saudades da ‘O Lobo Mau’.
Décima Categoria – Blog sobre Banda Desenhada Mais Parolo de 2011
Sendo nós especialistas no que a Blogs de BD e afins concerne, consideramo-nos a única autoridade nacional, com conhecimentos suficientes para nomear o mais parolo nesta categoria (O Mestre Geraldes Lino sabe mais que nós, mas não pode ser cá do gangue, porque não é parolo).
E sem mais delongas o vencedor, na categoria mais importante destes trofeus, é …
Blog ‘Nono Express / Comunidade Bedéfila – o blog de quem respira BD.’
Sim, é verdade somos os mais Parolos e desafiamos quem quer que seja a considerar o seu blog mais Parolo do que o nosso. Toma lá que já almoçaste.
Para o ano há mais amiguinhos (sim, que nós não vimos a porra do filme do 2012)
































